Com o lema “aprender vai muito além da sala de aula", os estudantes do 6º ano do ensino fundamental da Escola Básica Municipal (EBM) Tapera, localizada no Sul da Ilha, participaram de uma sequência de aulas de Educação Física em que construíram suas próprias pipas. A proposta explorou conhecimentos de diferentes áreas, desenvolvendo habilidades motoras e refletindo sobre segurança e preservação ambiental.
A atividade foi planejada em três etapas: teoria, construção e prática. Durante o percurso, as turmas conheceram a origem e a importância cultural da atividade, compreenderam os princípios que permitem o voo da pandorga, confeccionaram as estruturas utilizando materiais orgânicos e vivenciaram a brincadeira em um espaço seguro.
Além de integrar as habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a proposta trabalhou conceitos de matemática, como medidas, proporção e equilíbrio, estimulou a coordenação motora fina, a criatividade, a cooperação e a autonomia dos pequenos.
Segundo o professor de Educação Física, Kauan Lima, a atividade foi pensada a partir da realidade vivenciada no próprio bairro da Tapera.
"A Tapera é um bairro onde a cultura da pipa é muito presente. Achei importante contextualizar essa cultura e mostrar que ela pode ensinar muito mais do que parece. Trabalhamos conteúdos da Educação Física previstos na BNCC, raciocínio lógico, matemática, preservação ambiental e segurança, aproximando o aprendizado da realidade deles”.
Sustentabilidade ‘voa’ junto
Os estudantes reaproveitaram materiais durante a construção dos brinquedos, como varetas e sacolas plásticas utilizadas na confecção das rabiolas (cauda da pipa), além de recolherem os resíduos produzidos após a atividade prática, reforçando a importância do cuidado com o meio ambiente.
Outro ponto de destaque foi o trabalho de conscientização sobre a forma segura de empinar o brinquedo no ar. Durante as aulas, a turma discutiu os riscos do uso de cerol e linha chilena, proibidos por lei, além da importância de escolher locais adequados, longe da rede elétrica, ruas e rodovias.
De acordo com Kauan, além da sustentabilidade, que esteve presente em todos os processos, outro ponto focal foram os alertas sobre os riscos da linha chilena, que pode causar acidentes graves e até fatais. “Também discutimos os prejuízos que ela pode causar à rede elétrica e à população. Eles participaram bastante dessas conversas e contribuíram com experiências do próprio bairro".
Inclusão e saúde
A experiência também proporcionou momentos de inclusão. De acordo com o professor, a participação dos estudantes com deficiência foi um dos aspectos mais marcantes da atividade.
"Durante a construção, alguns precisaram de apoio, principalmente nas etapas que exigiam mais coordenação motora fina. Já no momento de empinar, todos conseguiram participar e vivenciar a experiência. Ver a alegria deles ao conseguirem foi muito gratificante", disse o professor.
A proposta foi realizada às vésperas do recesso escolar justamente para incentivar uma opção de lazer saudável durante as férias, valorizando uma manifestação tradicional da cultura popular e promovendo uma diversão consciente.
Para o professor, atividades como essa, fortalecem a aprendizagem por meio de experiências significativas e aproximam a escola do cotidiano dos pequenos.
"O grande objetivo é levar o esporte, os jogos e as brincadeiras para a vida deles. Muitos nunca tinham construído ou empinando uma pipa e descobriram uma atividade divertida, que pode ser praticada com responsabilidade, respeito ao próximo e ao meio ambiente”, concluiu.


